Notícias

Cães-Guias formados em Pernambuco transformam vidas desde 2010

 

Você sabia que hoje, 24 de abril, é comemorado mundialmente o Dia do Cão-Guia? O uso de cães para a condução de deficientes visuais teve início na década de 1920 nos Estados Unidos e somente 30 anos depois chegou no Brasil, de forma tímida. Atualmente, ainda são poucos os centros de treinamento no país e Pernambuco é a sede de um deles.

Com apoio da Confederação Brasileira de Cinofilia – CBKC, a Escola de Cão-Guia de Cegos do Kennel Club do Estado de Pernambuco foi criada em 2010. Em 2013, comemorou a entrega do primeiro cão-guia formado pelo clube. A professora de Braile Ketyane Santos foi a primeira a passear pelas ruas de Recife com um cão-guia, da raça golden retriever, chamado de Simba por conta da sua semelhança com o famoso personagem do filme O Rei Leão.

“Hoje posso dizer que Simba é meu melhor amigo, um grande companheiro. Ele não apenas me guia, é meus olhos, mas temos um vínculo emocional indescritível”, resume Ketyane. “Simba é um facilitador da socialização também. Facilitadores porque você começa a receber ajuda mesmo quando não pede. Simba atrai as pessoas que querem fazer carinho, perguntam como ele se chama e se podem ajudar de alguma forma. Os cães-guia despertam uma curiosidade e solidariedade nas pessoas”, completa.

Sobre as dificuldades de ir e vir guiada por um cão, Ketyane conta que são poucas. “As pessoas em geral são muito receptivas com os cães-guia. Eu nunca fui barrada, passei por tentativas em um supermercado, lanchonete e um shopping, mas quando informamos da lei federal e dos direitos das pessoas com deficiência visual de terem um cão-guia e circularem com eles em ambientes públicos, fomos liberados”, lembra.

“Apenas com os aplicativos como Uber e em taxis temos dificuldades porque nem todos querem levar um animal. Além disso, os aplicativos não te dão um retorno. Não sabemos se os motoristas recebem uma advertência ou são punidos por não nos aceitarem”, lembra.

Para Ketyane, ter um cão-guia ajuda a mudar a relação das pessoas com os deficientes visuais. “Com Simba, as pessoas não me enxergam como uma ceguinha. Com ele eu sou uma mulher com um cão, levando-o para passear, com a diferença que estou sendo guiada por ele. Então é uma experiência única”.

As raças mais recomendadas são pastor alemão, labrador e golden retriever. De acordo com a legislação vigente, esses animaizinhos têm acesso irrestrito a todos os lugares frequentados por seus donos, como restaurantes, empresas públicas, estações do metrô e até aviões, agindo literalmente como os olhos dessas pessoas.

Na Escola Cão-Guia de Cegos do KCEP, os seis cães formados são das raças golden e labrador. “Entender o comportamento e as peculiaridades de cada raça nos ajudam a desenvolver projetos como a formação de cães”, comenta Luiz Alexandre.

O projeto é uma iniciativa sem fins lucrativos. “Temos a intenção de ampliar este projeto e preparar mais cães-guias, mas para isso precisamos de um maior suporte financeiro. Atualmente, temos uma lista de espera de 10 pessoas”, conta Luiz Alexandre.

FONTE: www.op9.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *