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Cãopetição: 23 animais participam de torneio de cães da polícia baiana

Provas de corrida e farejamento foram realizadas em Lauro de Freitas

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Darkus venceu a corrida ao lado do soldado Fonseca, da Choque
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Qualquer ‘catioro’ de madame torceria o focinho para a rotina dos cães utilizados em operações especiais da polícia na Bahia. Afinal, se tem uma coisa que eles não fazem é colocar a barriga pra cima. Para os aprendizes de K-9, nada de colo e colerinha antipulgas: o lance é farejar, correr e, sobretudo, ajudar seus companheiros no combate à criminalidade.

Vinte e três cachorros treinados nas fileiras policiais participaram, na manhã desta terça-feira (23), do 1° Torneio de Cães de Polícia, realizado no Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq), em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador.

Foram três provas que se estenderam por toda a manhã. A primeira foi uma corrida e os ‘cãopetidores’ já estavam no início da prova às 7h. Dali, depois de dada a largada, saíram em disparada até a reta final – 1,4 km depois do ponto de partida. Um de cada vez, em duas rodadas, para não causar confusão.

Nas outras duas provas, os cholinhos tiveram que encontrar drogas e imobilizar um “suspeito” em uma situação que simulou uma rebelião em um presídio. Na corrida, o mais rápido, juntando os campeões das duas baterias, foi o pastor alemão Darkus, de três anos. Ele completou a prova em 2 minutos e 21 segundos, três segundos a menos do que outro pastor alemão, que ficou com o primeiro lugar na outra bateria.

Darkus 
Mas o mérito não é só de Darkus. Todos os cães correram de coleira e ao lado dos seus companheiros. No caso dele, o soldado Fonseca, lotado no BPChq, acompanhou o ganhador até a chegada.

Cada cão só pode participar de uma prova. Estar na pista de corrida significa dizer que o animal é excelente para trabalhar em buscas. O pastor alemão, por exemplo, em outubro do ano passado, ajudou os policiais da Choque na procura de suspeitos que se enveredaram por um matagal de uma localidade do bairro de Sete de Abril, em Salvador.

O potencial de cada cão é identificado desde muito cedo, ainda na ninhada, de acordo com o adestrador da BPChq, o soldado Barreiro. Foi assim com Darkus e todos os outros 38 cães do canil da Companhia de Operações com Cães (COC).

“Começamos a prestar atenção naquele animal que tem um poder de liderança, que, no meio da ninhada, é o primeiro a chegar, estando à frente sempre. Depois disso, levamos em consideração se esse cão tem uma certa ‘obsessão’ por algum objeto, uma bolinha, um pano”, explica o adestrador.

Depois é só especializar o animal para as buscas ou na identificação de entorpecentes. Mas, para isso, é preciso uma rotina de treinos diários. Inclusive a dupla vencedora – Darkus e soldado Fonseca – não fazem corpo mole. Os dois treinam todos os dias, cada um à sua maneira, claro. A rotina do pastor alemão é mais tranquila do que a do amigo humano.

“Logo de manhã cedo, eles [cães] saem para fazer as necessidades. Dessa forma, podemos identificar, analisando a urina e as fezes, se há algo de errado com o animal. Se estiver tudo certo, eles fazem uma corrida, coisa de 30 minutos. Atendem aos nossos comandos – de sentar, por exemplo -, e depois vão brincar. Descansam para, no final do dia, fazer outra corrida”, detalha soldado Fonseca.

Darkus, com apenas três anos, ainda está longe da aposentadoria que, geralmente, chega aos oito anos de idade. Mas isso varia de acordo com a raça de cada animal. Um pastor alemão chega a viver de 9 a 13 anos. Ele começou a ir às ruas com oito meses, idade que, ainda de acordo com o treinador, é a ideal para o cão começar a “carreira policial”.

Provas
A segunda prova do dia foi a de farejamento. Nessa, sete cães tiveram que advinhar em que local estavam os entorpecentes. Foram três rodadas. A primeira aconteceu no estacionamento da Choque e os policiais esconderam as drogas em um dos veículos – eram mais de 10. Na segunda etapa, os animais deveriam vasculhar uma das dependências do local. A terceira aconteceu ao ar livre.

Na prova que aconteceu no estacionamento, um dos competidores foi eliminado por sujar o “local do crime”: um pastor alemão acabou deixando fezes para trás enquanto tentava encontrar as drogas.

As regras da competição, segundo a capitã Samantha, são claras: “O animal não pode fazer cocô e xixi porque isso acaba atrapalhando os outros competidores”. O odor pode distrair os outros animais.

É claro que isso é válido apenas em competições. No dia a dia, durante uma operação, o animal pode se aliviar à vontade. “Durante a rotina, é comum que o animal faça isso. A regra é apenas para competição. As nossas excursões demoram muito e o animal, evidentemente, precisa fazer suas necessidades”, explica a capitã.

Nessa prova, o destaque foi Ajax, de cinco anos, um pastor alemão da Choque que, em menos de dois minutos, conseguiu encontrar os entorpecentes. Ao sentir o cheiro da droga, o cão, prontamente, sentou e parou de atender aos comandos do seu tutor.

“Ele é nossa promessa, o melhor que nós temos”, comentou um dos soldados que assistia ao torneio. Na prova de guarda e proteção, a equipe vencedora foi a da 32ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Pojuca).

Além dos cães da Choque, participaram também animais da Polícia Civil, do Exército e Aeronáutica, além de canis da Polícia Militar do interior do estado. Os soldados que acompanham os bichos ganhadores recebem medalhas e troféus; os animais, por sua vez, ganham o respeito dos seus amigos de trabalho.

FONTE: http://www.correio24horas.com.br Nilson Marinho – lidenilson.araujo@redebahia.com.br – 23.01.2018, 17:31:00

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